Chego a casa de manhã. Deito-me, gelado, na cama e encontro o seu corpo a ferver. Enrosco-me sem lhe tocar, para não a arrefecer mas ela semi-acorda e enrosca-se em mim, pega a minha mão gelada e coloca em cima da sua mama. A outra mão coloco debaixo da minha cabeça e da almofada. Não tinha muito sono e o seu corpo quente excita-me e deixo que ela sinta isso mas ela, tão rápido quanto acordou, adormeceu de novo.
Passados alguns minutos, longos, viro-me para o outro lado e puxo-a comigo. Desta vez sou eu que me enrosco nela. É uma sensação quase que maternal, de carinho e protecção extremos. Já não sinto frio. O sono chega alguns minutos depois. Depois de sonhar alguns sonhos acordado.
Passado algum tempo, segundos, minutos certamente não seriam pois já sentia algum vigor, e não cansaço, nos meus membros, talvez horas, acordo com uma mão quente à procura de algo na minha zona pélvica. Essa mesma mão não descansa enquanto não encontra o que se propôs a encontrar e passados alguns curtos momentos, mas que mais parecem uma eternidade, entra dentro dos meus boxers, justos, e toca-o, primeiro, acaricia-o, segundo, agarra-o e excita-o com movimentos vigorosos, depois.
A seguir começa o jogo da sedução. A mão sai de dentro dos boxers e sobe-me a t-shirt. Outra mão se junta e ambas deixam o meu peito a nú, pronto a ser alvo dos beijos e dentadas dos seus lábios e dentes. As dentadas cessam, mas os beijos continuam... no sentido dos boxers. Cada uma das mãos segura cada um dos lados dos boxers e puxa-os para baixo. Eu facilito! Levanto as ancas, depois retiro uma das pernas. Ela retira-me os boxers da perna que faltava e atira-os para o chão. Segura o cabelo, retira o elástico de uma das mãos e usa-o no cabelo. De seguida ela debruça-se novamente e eu tive o melhor acordar deste mês :).
Há duas coisas que me irritam nela! A falta de humildade em admitir que errou e o silêncio.
O silêncio é esmagador, opressor mesmo. Quando uma não quer, duas não brigam! Mas quando é preciso falar do que vai mal e ela se cala e amua... fico com vontade de explodir e de lhas dizer todas na cara a ver se ao menos reage.
Soprava o vento pela Fresta
Soprava o vento pela fresta
A menina comia nêspera
Antes de dar em segredo
O níveo corpo ao folguedo:
Mas antes provou ter tacto
Pois só o queria nu no acto
Um corpo bom como um figo
Não se vai foder vestido.
Para ela em tempos de ais
Nunca o gozo era demais.
Lavava-se bem depois:
Nunca o carro antes dos bois.
Bertold Brecht
(Tradução de Aires Graça)
Encurralado talvez
Nas minhas escolhas
Conscientes mas traiçoeiras
Nos meus desejos
Fecho os olhos às evidencias
Tiro o som à voz da consciência
E atropelo-me
Vezes sem conta
Por amor
Por medo
Por medo de amar
Por amor
Por medo
Pela segurança de ser amado
Quero mas não o faço
Não conheço a rapariga d'aqui ao lado
Para quê mudar?
Estou bem assim
Estou com alguém que gosta mesmo de mim
E eu?
Gosto dela tanto assim?
Dou um tempo
Depois outro
Mas o tempo não me poupa
Não me elucida
Apenas me zomba
Suavemente asfixia, trucida.